9# O poder das histórias + histórico de casos práticos

Quando eu falo sobre narrativa nas minhas aulas sempre coloco um exemplo que conheço muito bem: o meu.

Tive uma infância difícil e uma adolescência muito pior. Sofri bullying físico e psicológico severo; Eu caí em um distúrbio alimentar e desenvolvi uma conversa interna destrutiva que quase me matou. Graças à terapia de adultos, consegui resolver minhas experiências traumáticas e adotar ferramentas que me permitiram alcançar o sucesso em todas as áreas da minha vida.

Tenho a palavra “escrever” tatuada no pulso esquerdo porque escrever me ajudou a sobreviver a tempos difíceis, tornou-se minha paixão e depois minha profissão. É por isso que eu sou um escritor e redator profissional. É por isso que estou escrevendo este livro. É por isso que estamos conectados agora.

Dito assim, parece que resolvi todos os meus problemas anos atrás, mas a realidade é que ainda estou em terapia porque estou em constante evolução. Em 2017 decidi compartilhar um vídeo contando minha história com minha comunidade em rosamorel.com. Eu não esperava o comentários recebi em troca.

Centenas de mensagens públicas e privadas chegaram até mim contando suas próprias histórias, inclusive de influenciadores do mundo do marketing com quem eu não tinha falado antes.

Resolvi colocar o link do vídeo no segundo o email da sequência de boas-vindas que é enviada quando alguém se inscreve na minha newsletter. Meu objetivo era fazer com que novos assinantes soubessem como consegui me dedicar à escrita.

Sabe o que aconteceu? Uma taxa de resposta alucinante de mais de 70%. Pessoas me agradecendo pelo vídeo, contando também suas histórias e até pedindo orçamentos para me contratar.

Há uma ENORME diferença entre contar uma história e descrever eventos.

Não é o mesmo explicar que estudei carreira A, fui formado com B e C, depois trabalhei em D e acabei colaborando com E, para criar meu negócio F; compartilhar com o leitor meus sentimentos e motivações.

Quando dou treinamentos longos (em mestrados ou cursos para empresas), onde posso passar de 8 a 16 horas com os alunos, gosto de pedir um dos meus exercícios favoritos.

“Quero conhecer sua história. Diga-me como você chegou aqui”.

Deixo bem claro que o que estou procurando é uma história como uma história, não uma série de pontos descritivos. Claro, a maioria deles colocou a mão na cabeça: “Você quer que eu escreva AGORA? Eu não sei o que vestir! ”.

E é que para desenvolver uma boa história é preciso olhar para dentro. Porque aqueles que excitam e convertem 200% (como os do capítulo anterior) são aqueles que falam sobre emoções, não dados.

Para que você entenda melhor, quero que você leia dois fragmentos e pense em qual dos dois se conecta mais com você.

Fragmento A:

“A escassez de alimentos no Malawi está afetando mais de 3 milhões de crianças. Na Zâmbia, déficits severos de chuva levaram a um declínio de 42% na produção de milho. Como resultado, cerca de três milhões de zambianos enfrentam a fome. Quatro milhões de angolanos, um terço da população, foram forçados a fugir de suas casas. Mais de 11 milhões de pessoas na Etiópia precisam de assistência alimentar imediata”.

Fragmento B:

“Todo o dinheiro que você doar irá para Rokia, uma menina de 7 anos que mora em Mali, África. Rokia sobrevive em extrema pobreza e está morrendo de fome. Graças ao seu dom, ele terá uma chance de viver. Com o seu apoio e o de outros generosos contribuintes, a Save the Children trabalhará com a família de Rokia e o resto de sua comunidade para alimentá-la, educá-la e fornecer seus cuidados básicos de saúde. “

Eu me permiti a licença não para fazer uma tradução literal do fragmento B original, mas para transcriá-lo, adaptando-o ao espanhol para torná-lo mais emocional em nosso idioma.

Você não precisa responder, eu sei que você se conectou mais com este segundo texto. Por mais que no primeiro eu explique que mais de 3 milhões de crianças estão morrendo no Malawi, seu cérebro simpatiza com Rokia porque você se sente mais próximo dela.

Os dois trechos que você leu fazem parte do Estudo14 por Deborah Small, George Loewenstein e Paul Slovin, professores da Universidade da Pensilvânia. Uma de suas conclusões foi que uma narrativa baseada apenas no pensamento analítico é incapaz de provocar uma reação do receptor da mensagem.

Por fim, 7 características que sua história deve ter:

  • É credível e coerente.
  • Destina-se a um público específico.
  • É fácil de lembrar, sem muitos detalhes.
  • Use símiles ou metáforas para se conectar.
  • Termina em um clímax, não é plano.
  • Ela evoca emoções, não é descritiva.
  • A mensagem final é positiva.

Você já aprendeu como as histórias afetam o cérebro e como elas deveriam ser, mas ainda precisa aprender a construí-las. Conhecendo o ideal estrutura irá ajudá-lo a escrever qualquer texto.

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